Andrea escreveu um post super legal sobre ser vegetariano e outras contribuições ao mundo e disto veio uma lista de comentários interessantes, não aqueles xingamentos e generalizações típicas quando se toca neste assunto.

E não adianta vir com o rótulo de hippie ou eco-chato porque fazer algo pelo mundo não tem nada a ver com isso, tem a ver com cidadania afinal você vive no mesmo planeta que nós, vota, tem família, usa meios de transporte…

Eu sempre tive uma certa vontade de ser vegetariana mas não sei se vou chegar às vias de fato. Por isso gosto de ler sobre isto. Quem sabe um dia eu me anime e tome uma atitude? A cada dia que passa como menos carne. Gosto de pesquisar sobre nutrição e fontes alternativas de proteína. Aqui em casa só preparo comida vegetariana com muito tofu e cogumelo. Nunca gostei de tocar em carne crua e como não vou muito em restaurante, raramente como carne. Além do mais, tem também o fato de que a carne nos EUA não tem tanto sabor.

Tem uns sites que andei pesquisando sobre alimentação vegetariana:
Por que vegan?
Vegetarianos
Como substituir a carne?

Da discussão no blog da Andréa surgiram estas perguntas e respostas:

do Paulo

Pessoal
Desculpem a minha ignorância no assunto. Não apóio nem critico qualquer pessoa que escolha qualquer caminho para sua vida e não faço julgamentos. "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é."

Minha abordagem aqui não é nem filosófica, nem médica. Preocupa-me a questão da fome mundial e o que vai em seguida são dúvidas minhas que coloco a vocês que, certamente já pesquisaram ou refletiram sobre isso.

1) Sabemos que a fome atinge milhões de pessoas no mundo. Muitas delas só tem a possibilidade de comer proteína animal, mais fácil de produzir em seus ambientes. Como integrar tais populações a um projeto universal de alimentação vegetariana?

2) Nessa mesma linha, a tendência de explosão demográfica faz projeções terríveis sobre a futura escassez de alimentos. Simplesmente não haverá comida para todos. Como, então, rejeitar as infinitas possibilidades de obtenção de alimento no reino animal, numa perspectiva tão sombria?

3) Os países ricos, promoveram um desmatamento incrível para obter seu desenvolvimento tecnológico e, com isso, dependem dos países do terceiro mundo para obter sua cota de grãos e alimentos vegetais. Será que a opção vegetariana não tornaria ainda mais terrível essa dependência – por falta de opção de origem animal – e, nesse caso, será que os países pobres seriam invadidos, sob qualquer pretexto, para a conquista de suas terras férteis e de seus mananciais de água pura e potável?

Resposta da Gabi:

Paulo, argumentemos com fatos para que as pessoas entendam que ser vegetariano esta além de querer proteger os animais e de ter uma vida mais saudavel. Ja que seu enfoque foi sobre a fome, aqui estão algumas informações:

So pra começar a explicar, a "grosso modo", pense que quanto menos espaço tivermos, mais o vegetarianismo será imprescindível, pois um hectar pode produzir mais cereais do que bois… Além de precisar de mais espaço do que a agricultura, a produção de animais para consumo humano polui o ambiente, exige sempre novas áreas para pastos (desflorestamentos, queimadas)… e cem kilos de cereal não produzem cem quilos de carne (produzem bem menos)…

Existem muitas pesquisas provando que alimentação carnívora não é uma opção ecologicamente correta. Embora a pecuária no Brasil seja extensiva, devemos lembrar que o desmatamento ocorre por causa dela, principalmente para o plantio de soja para a alimentação de ruminantes (não apenas no Brasil, mas em outros países também).

A carne na Europa é vendida a peso de ouro, ou seja, não chega em todos os pratos, e a fome nos países subdesenvolvidos é exatamente porque não há como comprar esse alimento tão caro.

O impacto ambiental seria bem menor se o consumo de carne diminuísse, já que a criação influi e muito na ecologia gerando mais uma fonte para o aquecimento global, outro detalhe é que, não importa se fazemos isso há milhões de anos, também escravizavamos alguns anos atrás e paramos, não temos que nos manter presos a tradições arcaicas e sim ver o que é bom hoje ou não, e parar quando descobrimos (mesmo depois de milhões de anos) que estávamos errados.

O consumo de carne não é bom, nem para humanos nem para animais e a carne não é, seguramente, a única fonte de proteina.

No Brasil, por exemplo, a expansão da pecuária no Pará, que abriga o quarto rebanho do pais, com 18 milhões de bovinos, é uma das causas das ocupações das terras e do desflorestamento das florestas públicas. Segundo o jornal Estado de São Paulo, são abatidos até 3000 bovinos por dia nos entrepostos frigoríficos do sul do Estado. Em uma outra região do Pará, na Terra do Meio, situada no sudeste do estado, 60.000 hectares de floresta já foram devastados nos últimos anos; sendo que 10.000 ha desde o começo do ano passado…

Para alimentar os animais ocidentais cujas carnes serão destinadas a nossos restaurantes, mac-donalds e cozinhas familiares, o Brasil foi obrigado a aumentar de 400% suas exportações de soja entre 1977 e 1980, enquanto que, concomitantemente, 10.000 crianças morriam de fome por ano! Não esquecendo que as estatísticas apontavam, oficialmente, (!), 38 milhões de subnutridos…

No Senegal, a cultura do amendoim feita para alimentar os animais da pecuária substitui a cultura de lavouras familiares que alimentavam a população local. De 1980 à 1988 mais de 65.000 crianças morreram de fome anualmente, e isso em uma população
que conta com apenas 4,54 milhões de habitantes…

Enquanto isso, na Tailândia, 90% da produção de mandioca, principal recurso do país, são exportados para alimentar os animais cujas carnes serão destinadas á alimentação patogênica e degenerativa dos escravagistas ocidentais…
Durante esse tempo, 50.000 crianças morrem de fome na Tailândia, país que possui apenas 5,1 milhões de habitantes…

60% da produção ocidental de bovinos ‘consome’ a produção pesqueira chilena e peruana, enquanto que, entre 1980 e 1985, 48.000 crianças morriam no Chile e 90.000 crianças morriam diretamente ou indiretamente de FOME!

Em todos estes pa&iacu
te;ses, milhares de camponeses são expropriados de maneira brusca para que suas terras possam ser utilizadas para cultivos destinados à exportação, e tudo isso é feito com o consentimento, mesmo com o apoio dos governos dos países
industrializados, então, evidentemente, com a cumplicidade de todos os cidadãos ocidentais! =(

Apenas nos Estados Unidos, a indústria da carne é responsável pela perda de 85% da camada fértil do solo. Ela utiliza cerca de metade da água do país e produz vinte vezes mais excrementos que toda população americana, o que aumenta, obviamente, a poluição da terra e da água, enquanto o ar é submetido a uma carga cada vez maior de metano.

Você sabia que o gado americano sozinho come quantidades astronômicas de cereais e soja, quantidades estas que poderiam alimentar cinco vezes a população dos Estados Unidos? Pode imaginar então o que da pra fazer com os paises pobres, não?

Em uma análise ainda diferente, um esquema feito há alguns anos por Joël de Rosnay ilustra o problema da “energia”… olha so:

"Em 1974, se os americanos tivessem comido 35% menos carne, 32 milhões de hectares de terra que serviram para alimentar a pecuária, teriam sido liberados, e ali poderia se ter plantado soja em 5% da superfície para restituir aos americanos as proteínas das quais precisariam. No resto de 95% da superfície, poderia se ter plantado vegetais que crescem rapidamente. Tal biomassa teria alimentado 255 centrais térmicas de 1000 Mégawatts, ou seja, a potência TOTAL em eletricidade instalada nos Estados Unidos naquele ano!… (e poderíamos adaptar à vontade esses números aos dados franceses ou mesmo europeus!…)

Por um simples hamburger envolvido em dois pedaços de pão branco, é necessário transformar cinco metros quadrados de floresta virgem em pasto! Globalmente, os Estados Unidos transformam por dia 1.000 toneladas de boi em hamburguers… Isso significa o deflorestamento acelerado de regiões inteiras da América do Sul e da América Central. O fenômeno é impressionante: 25 milhões de seres humanos se ‘dedicam’ a cada dia, através do consumo passivo de hamburguers a destruírem massivamente o meio ambiente.".

Por exemplo, a Costa Rica "Suíça da América Latina" era recoberta por cerca de 72% de florestas em 1950, ou seja, 37 000 kilometros quadrados. Hoje em dia, esta superfície é de apenas 26% e 60.000 hectares são destruídos por ano. O gado invade as áreas desflorestadas: quando as carcaças dos animais rumam para os Estados Unidos ou para a Europa, a preços ridiculamente baixos, enquanto que para a população local os preços são altíssimos, os solos do país já estão enfraquecidos e em vias de
desertificação!

No primeiro ano após o desflorestamento, é preciso contar com um hectare de prado para alimentar uma cabeça de gado. Cinco anos depois, de cinco a sete hectares não são suficientes. E cinco anos mais tarde, o solo tornou-se definitivamente estéril…

Concretamente, não é a Dietética que tornará o homem sadio, mas nós homens, devemos tornar a Dietética sadia, quer dizer, não apenas uma ciência idealista e portadora de uma consciência coletiva, mas igualmente forte economicamente e socialmente, permitindo uma reconstrução fundamental de todos os circuitos e setores das atividades que tocam de perto ou de longe o ato da alimentação.

Visão utópica, segundo alguns, mas afirmo que é muito mais utópico esperar prosperarmos tranqüilos e serenos, tendo como ideal um egoísmo vegetativo, sem sofrer, nos anos vindouros, individualmente e coletivamente a revanche devastadora do crédito que
concedemos à indústria!

Modificar, mesmo que pouco nosso conforto pessoal, pode ter um impacto considerável não apenas sobre nossa saúde mas sobretudo na coletividade.

Existem muitos textos interessantes espalhados pela internet também:

http://www.jornaldomeioambiente.com.br/JMA-index_noticias.asp?id=9762

No documentario "A Carne é Fraca", do Instituto Nina Rosa e preste atenção ao que diz Whashington Novaes e se te interessar, dê uma olhada nos textos do DR Márcio Bontempo, da comunidade criada por ele, no ORKUT.

Dr.Marcio Bontempo é médico,vegetariano, especialista em saúde pública, palestrante e autor até o momento de 45 obras. Há mais de 25 anos divulga os recursos naturais na restauração e manutenção da saúde.

Foi o primeiro médico brasileiro a denunciar os perigos dos agrotóxicos e dos aditivos artificiais nos alimentos, em seu polêmico livro "Relatório Orion", publicado com grande sucesso pela LP&M Editores, em 1985.

Publicou a obra "Alimentação para um Novo Mundo" que defende sua filosofia.
Se tiver interesse: www.drmarciobontempo.com.br
No Orkut: http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=3934579
Beijo! =)

No entanto não é só disso que a Andréa fala. Isto não é uma pregação ao vegetarianismo mas é legal falar de coisas positivas que a gente faz pensando nos outros indivíduos. E você? Qual é a sua contribuição? Tem alguma atividade comunitária de que você participe e dá aquela sensação de orgulho depois?

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