Dra. Maria Luiza Branco Nogueira

Palestras sobre Alimentação "VIVA" no I Congresso Vegetariano Brasileiro e Latino Americano realizado em agosto de 2006 na cidade de São Paulo.

Como pesquisadora da FioCruz, a Dra. Maria Luiza Nogueira trabalha a Promoção da Saúde com o Projeto Terrapia, onde divulga a alimentação "VIVA" e a conscientização ecológica junto à comunidade. Na ENSP (Escola Nacional de Saúde Pública), a Dra. Maria Luiza realiza em um movimento solidário e participativo, com palestras e oficinas, um conjunto de ações como a horta de cultivo orgânico em área urbana e o desenvolvimento de uma culinária entitulada "VIVA".

"A ENSP é orientada pelos estudos da epidemiologia e esses estudos vêm apontando e direcionando as políticas públicas de saúde e o que vem acontecendo? Embora com todo o avanço da medicina epidemiológica, na saúde pública não houve tanto avanço em termos da qualidade de vida embora tenha havido muito trabalho na área de prevenção, isso também não resultou em grandes modificações do quadro de saúde da população. Então nos últimos 40 anos aparece um novo movimento dentro da saúde pública que é o da Promoção da Saúde", diz a Dra. Maria Luiza.

"A Promoção da Saúde é uma construção de um outro olhar e, o que é muito interessante é que se contempla a busca pela Paz. Então é um dos preceitos básicos da Promoção da Saúde a busca pela Paz. Tem-se uma série de investigações voltadas para a busca da Saúde envolvendo um outro olhar. A questão ambiental, a questão da alimentação que também entra de uma outra forma que não é só um olhar da nutrição".

Assim a Dra. Maria Luiza iniciou há nove anos o projeto Terrapia, onde numa área urbana em torno de cinco mil metros quadrados, tem-se uma horta em que as pessoas que participam do projeto plantam, aprendem, trocam experiências e receitas. "As pessoas vêm chegando… trazem de casa as cascas de legumes para fazer a nossa compostagem e esse espaço traz pessoas para que possamos conversar sobre o ato de se alimentar. O ato de se alimentar é muito mais abrangente do que botar a comida na boca. O alimento "VIVO" entra aqui, nesse ponto, ele tem essa concepção de uma alimentação muito mais abrangente", conclui Maria Luiza.

A percepção da Natureza pelo alimento

"Na medida em que a gente tem um entendimento que nós somos seres da Natureza, que fazemos parte dela e não que ela esteja aqui para que se aproveite dela, você começa a perceber que o principal alimento que a gente tem é a água sendo que somos feitos de 70% a 80% dela, às vezes até 90% quando bebês. Então a qualidade da água, a busca da água a forma que a água vem, ela vai ser fundamental como busca de alimento e é um alimento "VIVO" da Natureza que está aí", diz.

"Quando a gente sabe que não pode ficar sem respirar por muito tempo, a gente vai vendo que sem oxigênio não vai dar certo. A qualidade do ar, a forma da gente respirar também fazem parte do alimento "VIVO". Assim, você começa a se dar conta que se alimentar é estar ABSOLUTAMENENTE integrado e envolvido com a questão ambiental… essa forma de nos relacionar com a Natureza e o que é que vamos retirar dela para mantermos a vida dentro da gente".

"Faça do seu alimento seu próprio remédio", como já dizia Hipócrates, usar o alimento para encontrar o equilíbrio, a alimentoterapia, a mais antiga terapia da medicina ocidental, as diversas linhas da alimentação, foram questões levantadas pela palestrante. Ela também levantou a necessidade de diálogo entre os diversos profissionais da saúde, para um despertar direcionado às medicinas vitalistas – aquelas que percebem a energia vital.

Segundo a Dra. Maria Luiza, o alimento "VIVO" é baseado na compreensão da energia vital, sendo este o alimento do corpo e da vida. É durante o processo de germinação, onde a semente 'explode' para a vida ao nascer que há mais energia vital. É através de um estudo clínico com pessoas que tem se beneficiado dessas sementes que estamos baseando as pesquisas, mesmo sendo uma dieta tão antiga, é hoje que ela tem atraído o interesse dos campos científicos.

A Dra. Maria Luiza conclui que junto ao alimento "VIVO" e à Promoção da Saúde chega-se ao entendimento que cada um é seu médico, onde cada um pode saber o que é melhor para si, combinando assim com a mudança necessária aos serviços de saúde. Lembrando o tema do Congresso de Vegetarianismo, a Dra. Maria Luiza também pede que da mesma maneira que discutimos a violência contra animais também precisamos informar e debater sobre a violência causada ao Reino Vegetal, como o caso da perda da Biodiversidade das nossas sementes pela simples valorização de mercado.
 

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