ALIMENTOS REFINADOS

CAUSAM NOVAS DOENÇAS

INDUSTRIALIZAÇÃO ALIMENTAR

E DECADÊNCIA BIOLÓGICA

24/1/1998 – A industrialização alimentar, com a refinação do açúcar, dos cereais (farinhas), dos óleos e do sal, tornou-se o factor decisivo para um aumento da incidência de um grande número de doenças degenerativas.

O facto de se ter corrido uma cortina de silêncio sobre este dossiê de ecologia humana – factores adversos do ambiente e patologias humanas deles derivadas – não significa que o problema não exista e muito menos que tivesse desaparecido.

Antes pelo contrário: as doenças degenerativas subiram em flecha desde a industrialização, sem que nada tivesse sido dito ou feito, a nível oficial, para minorar o mal. À parte uma campanha televisiva por causa do sal como causador da hipertensão, em que o Dr. Rego de Aguiar foi a figura mais conhecida, o problema da refinação – óleos, farinhas, açúcar e sal – é hoje totalmente ignorado como a principal causa de doenças assim enunciadas, por ordem alfabética:

aparelho digestivo (doenças do)

artritismo

cancro

cardiopatias

cárie dentária

colesterol

colibacilose

coronárias (doenças)

desmineralização

descalcificação

diabetes

duodeno (perturbações do)

enfarte do miocárdio

hemogliase (viscosidade do sangue)

hemorroidas

hipovitaminose

mucosas (irritação das)

obesidade

obstipação ou prisão de ventre

úlcera péptica

veias varicosas

Recorrendo a fontes autorizadas – P.V. Marchesseau, Paul Carton, Pierre Delbet, G.D. Campbell – reunimos aqui algumas informações que poderão esclarecer aspectos que, embora conhecidos da ciência médica, nunca são suficientemente divulgados (por razões óbvias que a indústria explica), ficando sempre ou quase sempre na gaveta do esquecimento.

Se a ciência médica se preocupasse com os alimentos refinados e respectivas patologias metade do que se ocupa e preocupa com os vírus, gozaríamos todos de muito melhor saúde e os serviços ditos de saúde e que realmente são de combate à doença não estariam tão congestionados nem a segurança social com tantos problemas de tesouraria.

1.

O Dr. Paul Carton, higienista e pioneiro da dietética natural, costumava chamar a atenção para os malefícios dos três alimentos brancos, desvitalizados, que são:

a) o sal branco ( lavado)

b) o açúcar branco (refinado)

c) o pão branco (de farinhas purificadas).

Afirmava também que esses três alimentos, desmineralizados, desvitalizados e destituídos dos fermentos necessários, eram agressivos em extremo para o organismo e responsáveis pela decadência do aparelho digestivo e a generalização do artritismo entre a espécie humana.

O sal branco, privado de magnésio e de vários oligoelementos, não fornece ao organismo todos os minerais da água do mar.

O sal cinzento, menos empobrecido desses elementos, é ainda, apesar de tudo, muito incompleto. O melhor dos sais de mesa é, sem dúvida, a água do mar concentrada, género «soro marinho», enriquecido pelos noventa e quatro elementos minerais conhecidos.

2.

O açúcar branco, obtido da cana do açúcar, ou de outra planta que o forneça, fica completamente desprovido de vitaminas e quase sem vestígios de minerais, depois das sucessivas operações de purificação mecânica e química.

Apresenta, além disso, vestígios de alguns produtos tóxicos que serviram para as operações de refinação.

Este açúcar, seja branco ou escuro, é sempre sacarose, de difícil utilização digestiva e hepato-pancreática. Mal armazenado, mal transformado e mal queimado ( utilizado nos tecidos para fornecer energia) é responsável por muitas enfermidades, devidas à irritação das mucosas e glândulas e à desmineralização.

Há que ponderar ainda um facto importante pelas suas consequências e dada a sua origem quase que insuspeitada: referimo-nos aos estados de alcoolismo provocados pelo açúcar, a embriaguez ou etilismo dos bébés e das pessoas idosas que nem sequer consomem uma gota de álcool mas cujo organismo recebe grandes quantidades de açúcar e doçarias.

Sobre o açúcar branco escreveu o médico e biólogo P.V. Marchesseau:

«Os açúcares brancos são açúcares desmineralizados, desvitaminados, sem diásteses, numa palavra, desvitalizados. Só com dificuldade são transformados em açúcares orgânicos, armazenam-se mal no fígado e são queimados de maneira imperfeita nos músculos, pelo que, pensando nesses açúcares, temos de pensar na diabetes. Favorecem o etilismo oculto, dissimulado, nos glutões e que aparece por vezes nas mulheres cujo fígado já se encontra esclerosado pelo alcoolismo.

«Os bébés também são vítimas do mesmo algumas vezes. Para a saúde, o melhor açúcar não é sacarose refinada (açúcar branco) nem tão pouco o açúcar escuro que é afinal, do mesmo modo, sacarose.

O melhor são as levuloses, açúcares dos frutos que as próprias formigas identificam e escolhem e que escorre, por exemplo, das maçãs assadas. As levuloses são assimiláveis, desintegram-se nos músculos sem detritos excessivos e favorecem a cura dos diabéticos. O mel contém cerca de 50% de levulose, directamente assimilável e queimado nos músculos com um mínimo de resíduos de combustão.

Tratar-se-ia, para os naturovegetarianos, de um mal menor, embora para os macrobióticos seja um mal absoluto e completamente para rejeitar.

3.

Quanto ao pão branco, purificando as farinhas até à inércia completa, é responsável por outro estado mórbido e muito disseminado que é a hemogliase ou viscosidade do sangue , causa da maior parte das doenças do coração e dos vasos, na actualidade.

Vasos, consideram-se tantas as artérias como as veias, umas e outras afectadas pela circulação do sangue com acentuada viscosidade e pelos entraves que daí resultam na sua passagem pela enorme rede circulatória. Devemos ainda apontar o enfarte do miocárdio, tão generalizado entre os países mais industrializados e que dá maior número de óbitos do que o próprio cancro.

4.

Ainda outro alimento que a industrialização degradou: as gorduras animais refinadas e principalmente as gorduras cozinha
das.

As gorduras animais digerem-se com dificuldade, também fazendo aumentar a viscosidade do sangue e sobrecarregam o fígado, deixando resíduos perigosos como o colesterol. Afectam a vesícula biliar sobretudo quando as glândulas da secreção de mucina do dudoeno se encontram inactivas.

Quanto às gorduras cozinhadas, de origem animal e de origem vegetal, todas são cancerígenas em princípio. Durante a cozedura excessiva libertam por decomposição das moléculas da gordura, alcatrões e acroleínas, substâncias cancerígenas por excelência (conforme pesquisas realizadas em ratos) .

5.

Os drs. Cleave e G.D. Campbell, médicos ingleses, defendem em livro, uma curiosa teoria: nem só a diabetes mas também a obesidade, a cárie dentária, o enfarte de miocárdio, a úlcera péptica, as veias varicosas, a obstipação ou prisão de ventre, as hemorroides e as colibaciloses são devidos essencialmente à incapacidade do homem para se adaptar com rapidez ao consumo de hidratos de carbono refinados, em especial a farinha branca e os açúcares brancos.

«Sabe-se – afirmam os médicos ingleses – que o consumo excessivo de hidratos de carbono é um erro alimentar prevalente em certos países, mais deletério talvez do que o abuso de gorduras animais. Também é do conhecimento geral que o consumo excessivo de hidratos de carbono é um dos factores importantes no aparecimento da diabetes, da obesidade e da cárie dentária.»

Os drs Cleave e Campbell consideram o abuso de farinhas e de açúcares refinados o único factor causal importante destas e de muitas outras doenças. »

6.

Quase ao mesmo tempo que o Dr. Paul Carton, também o prof. Pierre Delbet defendia tese idêntica, pelo menos em relação às farinhas refinadas. Pierre Delbet, os seus discípulos e depois deles Henri Geffroy sustentaram em França as mesmas afirmações, chegando Delbet a definir a existência de uma substância designada hemogliase, que tornaria o sangue excessivamente viscoso, devido à influência do exagerado consumo dos amidos levados ao organismo pelas farinhas refinadas.

Não é só pelo facto de o organismo receber praticamente só amido que a questão se complica. No caso das farinhas como no caso do açúcar, a refinação, a purificação implicam a eliminação de sais minerais e vitaminas. E, como é do conhecimento geral, os sais minerais, os elementos (oligoelementos) e as vitaminas desempenham importante papel na assimilação e na própria desassimilação, factores essenciais do metabolismo dos hidratos de carbono.

7.

O complexo B e em particular a Vitamina B1 actuam no metabolimo dos açúcares. Conhecem-se cardiopatias por falta de vitamina B1; sabe-se da existência de nevrites e perturbações do metabolismo do sistema nervoso por deficiência de vitaminas do complexo B.

Esta deficiência, que na gíria médica se designa por hipovitaminose, tem origem na qualidade de certos alimentos e também no seu consumo excessivo.■

Os drs. Cleave e Campbell dizem que as enfermidades (por eles citadas) são devidas essencialmente à incapacidade do homem para se adaptar com rapidez ao consumo de hidratos de carbono refinados – em especial farinha branca e açúcares brancos.

O consumo excessivo de hidratos de carbono é talvez mais nocivo do que o abuso das gorduras animais, afirmam eles.

Também em Inglaterra, o Prof Wudkin, quando director do departamento de pesquisas sobre nutrição da Universidade de Londres, ocupou-se igualmente deste assunto.

Baseando-se em dados estatísticos, afirma que o consumo excessivo de hidratos de carbono e em particular o açúcar refinado é a causa de doenças coronárias e outras doenças degenerativas que se tornaram epidémicas.
 
Fonte: http://pwp.netcabo.pt/big-bang/ecologiaemdialogo/refinado.htm 

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